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sexta-feira, 20 de março de 2009

Embrapa e UnB promovem curso sobre controle biológico de pragas

17-03-09
Embrapa e UnB promovem curso sobre controle biológico de pragas

A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das 41 unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa e a Universidade de Brasília – UnB promovem no período de 30 de março a 17 de abril de 2009, na Unidade da Embrapa, em Brasília, o curso “Bases Bioquímicas e Moleculares do Controle Biológico de Insetos” voltado a estudantes de pós-graduação e profissionais que desenvolvem atividades nessa área. Estão sendo oferecidas 15 vagas, sendo 10 para a UnB e cinco para a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

Os estudos de controle biológico de pragas já estão bem avançados no Brasil. O país é, inclusive, o cenário do maior programa de controle biológico do mundo, com o uso do Baculovírus anticarsia, um inimigo natural da lagarta da soja em uma área de aproximadamente dois milhões de hectares. A lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis) é a principal praga dessa leguminosa em todas as regiões brasileiras.

Além desse, outros avanços vêm sendo obtidos nesse campo, como o desenvolvimento de três inseticidas biológicos para controle de pragas agrícolas e mosquitos transmissores de doenças nos últimos cinco anos. Esses produtos são capazes de controlar com muita eficiência os insetos-alvo, sem causar danos à saúde humana, de animais e ao meio ambiente.

Diante do enorme potencial dos microrganismos para o controle de insetos-praga, a Embrapa investe constantemente em pesquisas para conhecer mais a fundo o seu funcionamento, com o objetivo de agilizar os estudos e oferecer opções mais seguras e econômicas à população brasileira.

Mais recentemente, novas ferramentas, como a bioinformática e a genômica funcional também foram incorporadas às pesquisas de controle biológico para auxiliar no conhecimento molecular dos microrganismos usados como agentes no combate às pragas.

Com esse curso, a Embrapa e a UnB pretendem transferir esses conhecimentos para os estudantes e profissionais que atuam nessa área.

Curso alia teoria e prática para o conhecimento molecular dos microrganismos

Além de transmitir conhecimentos teóricos sobre as bases bioquímicas e moleculares de microrganismos utilizados no controle biológico de pragas, o curso tem também como objetivo treinar os participantes em técnicas avançadas e procedimentos laboratoriais de bioquímica, biologia molecular, bioinformática e genômica funcional.

O conteúdo do treinamento engloba aspectos relacionados aos microrganismos utilizados como agentes no controle biológico de pragas, ou seja, bactérias, vírus e fungos, além de noções de bioinformática e genômica funcional como ferramentas aplicadas ao controle biológico.

Entre os tópicos a serem abordados destacam-se: caracterização, modo de ação e produção de vírus, bactérias e fungos entomopatogênicos - específicos para os insetos-alvo, além do seu potencial para produção de inseticidas biológicos capazes de controlar pragas agrícolas e mosquitos transmissores de doenças, entre muitos outros.

POR: FERNANDA DINIZ (EMBRAPA RECURSOS GENÉTICOS E BIOTECNOLOGIA)
Fonte: http://www.ripa.com.br/

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Pesquisa desenvolve tecnologias para controle da cochonilha-do-carmim em palma

18/02/2009 07:53:23

O controle biológico e a seleção de plantas resistentes são tecnologias em estudo para conter a infestação em palmais cultivados no Nordeste, pela cochonilha-do-carmim. Projetos liderados pela Embrapa Semi-Árido, junto com Instituto Agronômico de Pernambuco – IPA,, e a Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba – EMEPA, procuram tornar viáveis medidas de controle para o manejo integrado dessa praga que, por ano, causa prejuízos estimados em 150 milhões de reais.

A palma é uma das principais espécies forrageiras em uso nos sistemas de criação pecuária do sertão nordestino. Em áreas tradicionais de cultivo dos estados da Paraíba, de Pernambuco e do Ceará, o ataque da cochonilha acontece de forma tão intensa que só tem restado aos agricultores a erradicação total dos plantios. A perda dos palmais retira dos agricultores a forrageira que mais resiste à seca, afirma o engenheiro agrônomo Carlos Gava, pesquisador da Embrapa Semi-Árido.

Uma consequência grave do ataque dessa praga é que, na ausência de um controle eficiente ou com um custo competitivo, a eliminação da forrageira tem obrigado os produtores a se desfazerem dos rebanhos ou a aumentar o uso da vegetação nativa. Como resultado, tem se observado a degradação da caatinga e levado famílias de agricultores a migrarem das regiões afetadas, releva o pesquisador.

Controle biológico – No Laboratório de Entomologia da Embrapa Semi-Árido há bons indicativos da eficiência de um inseto de origem australiana (Cryptolaemus montrouzieri) como predador da cochonilha-do-carmim. Nos testes experimentais, um adulto dessa espécie de joaninha consegue consumir, por dia, entre 300 e 350 ninfas da praga. Outro inseto, Zagreus bimaculosus, nativo do semiárido, está sendo avaliado com o mesmo objetivo. Para Carlos Gava, é uma tecnologia promissora, ainda mais que a técnica para a multiplicação dos predadores é simples e pode ser implementada nas propriedades rurais sem a necessidade de qualquer equipamento especial.

Outra linha de estudo em desenvolvimento no Laboratório de Controle Biológico avalia a eficiência de fungos chamados de entomopatogênicos, como a Beauveria bassiana e o Metarhizium anisopliae, que, pulverizados na cultura, infectam o inseto e causam a sua morte. Nos testes realizados pelos pesquisadores da Embrapa Semi-Árido em áreas de palma infestadas de cochonilha-do-carmim, a aplicação desses microorganismos reduziu a população da praga em até 90%. A quantidade que sobrevive é tão pequena que a capacidade de causar dano à cultura é inexpressiva.

O passo seguinte da pesquisa é definir fórmulas para o processamento de bioinseticidas com base nesses fungos. Carlos Gava explica que este produto precisa passar pelas análises de resistência dos microorganismos às condições climáticas da região após serem pulverizadas no campo. Sem garantias de que vão se manter vivos, após serem pulverizados nas plantas de palma, esses produtos biológicos terão poucas chances no manejo da praga e menos ainda de chegar ao mercado. Otimista com os resultados já obtidos, ele prevê, para breve, a apresentação de um produto de baixo custo e muito eficaz no controle dessa cochonilha.

Clones – O IPA e a EMEPA, por sua vez, testam clones de quatro genótipos de palma forrageira resistente à praga: a Doce ou Miuda - que tem o nome científico de Nopalea cochelinifera, a Mão-de-Moça (Nopalea sp.), IPA Sertânea e PALMEPA1. Essas variedades já são cultivadas em diferentes regiões produtoras. Duas novas cultivares, mais rústicas e melhor adaptadas ao sertão, estão em fase final de avaliação quanto ao desempenho agronômico e de potencial forrageiro, de acordo com Carlos Gava.

No Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Semi-Árido, os pesquisadores fazem testes para produzir em larga escala, por meio de cultivo em tubos de ensaio, mudas dessas variedades a partir de fragmentos de raquetes. Estes testes vão servir de base para as instituições estabelecerem programas de distribuição gratuita das mudas para os agricultores. A capacidade de multiplicar grandes quantidades de materiais resistentes vai acelerar a recuperação dos palmais da região, afirma.

Introduzida no Nordeste em fins do século XIX, a palma forrageira tem sido a principal alternativa para a alimentação animal nos períodos de estiagens. A rusticidade, características nutricionais e aceitação pelos animais tornaram a palma na principal alternativa para as cadeias produtivas de carne e leite de caprinos, ovinos e bovinos.


Marcelino Ribeiro
Embrapa
www.cpatsa.embrapa.br / 87 3862 1711